BAÍA DE TODOS OS SANTOS: ASPECTOS HUMANOS




PREFÁCIO

O Estado da Bahia, ao longo do tempo, tem reconhecido a centralidade da Baía de Todos os Santos (BTS) para o seu desenvolvimento, seja por abrigar sua capital, pelo polo petroquímico estabelecido no seu bojo ou pela possibilidade de escoamento dos produtos nos diversos portos por esta acolhidos, seja pela conformação geográfica que lhe garantiu papel de destaque na história do Estado. Nesse cenário, a Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPESB) vêm apoiando um programa de pesquisa – multi-institucional, multidisciplinar e articulado – sobre a BTS, cujo horizonte temporal de 30 (trinta) anos favorece a compreensão longitudinal dos movimentos humanos e ambientais na Baía. 
Ao longo do tempo, a BTS tem sido objeto de investigações. No entanto, os dados estão dispersos e são, em sua maioria, restritos à academia ou às agências que fomentaram as pesquisas que os originaram. A presente publicação visa suprir essa lacuna. O livro Baía de Todos os Santos foi pensado em dois volumes: o Ambiente Físico e o Ambiente Humano. O primeiro volume foi lançado em agosto de 2009 e trata dos aspectos oceanográficos da BTS. Para a organização do segundo volume, Aspectos Humanos, a FAPESB convidou o antropólogo Prof. Carlos Caroso que, junto 
com a Profa. Fátima Tavares e o Prof. Cláudio Pereira, identificaram e envolveram os demais autores que, a partir de seus estudos e de uma busca sistemática dos dados existentes, puderam elaborar os capítulos que ora são apresentados. No conjunto, esses capítulos formam o panorama do ambiente humano da BTS.
Com a presente publicação e com o fomento às pesquisas de longo prazo, a  FAPESB busca contribuir para favorecer uma reflexão sobre os modos de pensar e agir na Baía de Todos os Santos.
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INTRODUÇÃO

A Baía de Todos os Santos, com superfície de 1.233 km2, é o segundo maior acidente geográfico deste tipo no Brasil, com dimensão inferior à Baía de São Marcos, no Maranhão. Fazem ainda parte desse sistema duas outras baías de menores dimensões, respectivamente as de Iguape e Aratu, 56 ilhas, sendo a de Itaparica a maior ilha marítima do Brasil, estuários de rios, manguezais, restingas e 
matas que compõem seus ecossistemas e formam sua paisagem natural.
Sobre estes substratos naturais foram construídos mais de cinco séculos de história, na qual as populações indígenas crescentemente perderam o protagonismo, desde o momento em que navegadores europeus aí aportaram no primeiro dia do mês de novembro do ano de 1501, e a nominaram em homenagem católica ao dia de Todos os Santos. De paisagem natural e território 
de ocupação indígena, a BTS torna-se o principal portal de acesso ao território que veio posteriormente a abrigar cidades, vilas, municípios, populações e patrimônio erigido que conformam a paisagem humana e cultural de sua porção insular e entorno. A Cidade do Salvador, fundada em 1549 na península situada entre a borda leste da BTS e o Oceano Atlântico, inteiramente voltada para o mar e para sua defesa, em virtude de sua situação geopolítica estratégica, tornou-se a primeira 
capital do Brasil e o mais importante centro urbano entre todas situadas na Baía e seu entorno. 
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